Investigação
MPMG denuncia 10 pessoas envolvidas em fraudes no credenciamento de fábricas e estampadoras de placas veiculares no Centro-Oeste

Dez pessoas foram denunciadas pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), no último dia 29, pelos crimes de organização criminosa, cartel, falsidade ideológica, prevaricação, obstrução de justiça, corrupção e lavagem de dinheiro. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (5). Os denunciados foram alvo da Operação “One Way”, realizada em 2020, no Centro-Oeste de Minas.
Segundo o MPMG, entre os denunciados estão dois delegados de polícia, um investigador de polícia, “laranjas” e empresários do ramo de estampas de placas veiculares. Os nomes dos envolvidas e das empresas não foram divulgados, mas em 6 de junho do ano passado, o Diário Oficial de Minas Gerais publicou a exoneração do delegado regional da Polícia Civil de Divinópolis, Leonardo Pio, e do delegado-geral da superintendência de informações e inteligência policial, Ivan Lopes.
Ao G1 na época, eles afirmaram que as exonerações ocorreram por livre iniciativa diante da operação. A reportagem entrou em contato nesta quarta-feira com os dois para saber se querem se posicionar diante da denúncia do MPMG, veja mais abaixo.
Investigação
Após a operação deflagrada em 2020, as investigações foram intensificadas para análise dos diversos materiais e documentos que foram apreendidos no dia da ação.
O MPMG afirmou que o material apreendido fortaleceu os elementos probatórios produzidos no âmbito do procedimento investigatório criminal e contribuiu para a conclusão das investigações e a denúncia oferecida.
A investigação foi conduzida em conjunto pelo MPMG, por meio do Gaeco Regional de Divinópolis e da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e do Controle Externo da Atividade Policial da comarca, e pela Corregedoria-Geral da Polícia Civil de Minas Gerais.
Operação
A Operação “One Way”, contra a prática de fraudes no credenciamento de fábricas e estampadoras de placas veiculares, foi realizada em 5 de junho de 2020 no Centro-Oeste de MG.
Na época, um mandado de prisão e 29 de busca e apreensão foram cumpridos em Divinópolis, Itaúna, Formiga, Pará de Minas, Bom Despacho, Lagoa da Prata, Santo Antônio do Monte, Itapecerica, Belo Horizonte, Itatiaiuçu e Itaguara.
Bloqueio de valores, sequestro de bens e suspensão das atividades das empresas investigadas também ocorreram na ocasião.
Os alvos da operação eram policiais civis, fábricas de placas veiculares, empresários e “laranjas”, que emprestavam os nomes para figurar nos quadros societários da empresa de forma a escamotear os reais proprietários dos empreendimentos.
Exonerações
Mesmo Leonardo e Ivan dizendo à reportagem na época que as exonerações ocorreram por livre iniciativa, a publicação no Diário Oficial de Minas Gerais, explicou que a exoneração foi baseada no Art. 106, alínea b do Estatuto dos Funcionários Públicos Civis do Estado de Minas Gerais. Segundo o dispositivo, a exoneração, neste caso, ocorre a critério do Governo.
Diante dos fatos, a chefia da Polícia Civil de Minas Gerais na época enviou um comunicado informando que estava consternada com o envolvimento de policiais que se encontravam em exercício de cargos de chefia.
Posicionamentos
Por mensagem, Ivan Lopes disse não ter conhecimento da denúncia e que somente se manifestaria após o advogado ter acesso ao teor da denúncia.
Leonardo Pio não tinha respondido à solicitação da reportagem até a última atualização da matéria.
Fonte: G1 Centro-Oeste de Minas
Foto: Imagem Ilustrativa/G1