Editorial - Opinião sem medo!
Editorial – Valorização é a solução

Alemanha, Holanda, Canadá, Irlanda, Dinamarca, Bélgica, Austrália, Coréia do Sul, Suíça e Luxemburgo. Todos estes países de primeiro mundo têm algo em comum. Eles valorizam seus profissionais da educação.
Não estamos falando aqui, de homenagens com canções e cartazes feitos pelos alunos uma vez no ano. Tão pouco aquela maçã que com carinho é levado para o mestre, mas sim de remuneração, de salário, de condições e infraestrutura adequada para que o papel do educador seja ministrado com excelência.
Recentemente em uma entrevista concedida para a TV Minas pela banda divinopolitana PODGIZ, formada prioritariamente por educadores, foi questionado sobre como fica a motivação dos profissionais da educação ao retornar para uma sala de aula sem estrutura adequada, por lidarem com um cenário inadequado, e lá foi brilhantemente respondido que a sala de aula é um lugar mágico, onde as frustrações em grande parte das vezes é deixada de lado.
A entrevista em questão reflete um pouco do sentimento que temos quando o assunto é educação no Brasil. Isso porque com todo mérito dos profissionais que batalham pela educação erudita de nossas crianças, se não fosse a magia, o inexplicável, a superação, simplesmente estaríamos diante de um pais que já estaria definitivamente sem a menor esperança de um futuro melhor.
Todo profissional da educação é mágico, psicólogo, amigo, disciplinador, referência, esperança, tia, tio, cuidador, investidor, técnico, é amor e dedicação, e para dar respaldo a tudo isso e muito mais, é necessário que, se não temos uma infraestrutura digna, pelo menos uma remuneração digna seja concedida.
Conforme divulgado nesta edição do Jornal O Popular, o piso salarial da classe no Brasil é de pouco mais de R$ 3.300,00. Isso com o reajuste constitucional estabelecido para o ano de 2022. Porém por questões econômicas que não se entende bem, o piso sequer é pago em nossa cidade.
Sim os profissionais da educação, assim como os demais tiveram um reajuste de 17,78%, mas por lei o que lhes é devido é 33% de reajuste. E sendo assim, fica o questionamento, como fazer mágica se falta o pão na mesa?
Pode parecer uma pergunta extrema, mas de fato o que se observa é que, aqueles que devem se dedicar exclusivamente para a educação de nossas crianças, não podem dividir seu tempo de trabalho com outras atividades para complemento de renda. Isso não valoriza a classe e por mais que tenhamos uma cidade onde a educação é vista pela gestão como uma prioridade, é verdadeiramente, um desrespeito com os profissionais que forjam o futuro de nossa cidade, o entendimento de que, o que é constitucional não deve ser pago, por uma nota técnica publicada para livrar a cara de administrações duvidosas em tempo de crise e pandemia.
Percebam, o executivo de nossa cidade chegou ao absurdo de quase que, no apagar das luzes e de forma sorrateira, substituir um projeto para retirar o percentual que é de direito para que a remuneração do magistrado se aproxime (veja bem nem se iguale, ma se aproxima), do piso nacional.
Se não fosse de direito, ou se não houvesse recursos para tal pagamento, o texto não teria aparecido pelo “competente” departamento jurídico que elabora tais projetos pelo executivo. A prefeitura tem os recursos tanto que apresentou a proposta no projeto que foi retirado quase que de forma sorrateira, para que assim, seja barrigado, ganhado tempo sabe-se lá por qual motivo, para que após uma norma, seja finalmente pago de forma retroativa a remuneração que é devida.
Aplaudimos muitas medidas da administração, mas pagar o piso nacional não é nada que deva ser louvado. É valorização do profissional, é investimento no futuro, e mesmo que isso não gere os votos que são tão desejados pelos políticos, é uma ação que deve ser tratada como prioridade por qualquer administração municipal.
Finalizando, esperamos sinceramente que a situação da remuneração seja resolvida em tempo hábil e que tal questão não seja alvo de judiscialização. Afinal de contas, se os professores tiverem que brigar na justiça para receber o que constitucionalmente é de direito, ficará mais do que claro que o respeito pela classe é apenas um discurso vazio, e a valorização dos profissionais, se mantém verdadeira apenas pelas crianças que sonham com um futuro melhor, sendo educadas por quem faz mágica, para pagar as contas, para colocar comida na mesa, para se motivar para o trabalho, para formar cidadãos de verdade.