Policial
Bebê tem cabeça arrancada durante parto em hospital

Conselho Regional de Medicina vai abrir sindicância; este é o segundo caso parecido na cidade
Em nota, a Santa Casa disse que a gestante foi admitida em trabalho de parto prematuro, apresentando dilatação total do colo uterino, e que o óbito fetal, apesar de trágico, era provável nas condições em que a jovem estava. O médico obstetra que fez o parto disse que não falará sobre o procedimento.
O Conselho Regional de Medicina (CRM) informou que serão abertas duas sindicâncias para avaliar os casos separadamente. Ambas devem ser concluídas em 90 dias.
O pai da criança, Elder Jonatas Santos Silva, de 23 anos, contou ao G1 na terça-feira (13) que a esposa dele, de 24 anos, estava gravida de 25 semanas e começou a sentir fortes dores na madrugada de segunda. Ela foi levada para a Santa Casa por indicação da médica ginecologista que acompanhou o pré-natal da gestante em uma clínica particular da cidade.
De acordo com Silva, na clínica foi feito um exame de ultrassonografia, que constatou que o bebê estava em posição pélvica (sentado). “Liguei para a ginecologista dela e na clínica eles viram que a criança estava sentada, ela então fez um encaminhamento junto com o ultrassom para que fôssemos para a Santa Casa”, disse.
O pai informou ainda que acompanhou o parto da criança, que foi puxada pelos pés durante o procedimento. Foi neste momento que, de acordo com Santos, a cabeça da criança se partiu do corpo.
No atestado de óbito do bebê consta que a menina já estava morta antes de nascer, o que é contestado pelo pai.
“Minha neném estava viva, estava mexendo. Minha mulher, antes de fazer o parto, estava sentindo ela mexer. Se tivessem feito cesárea minha filha estaria viva”, lamentou o jovem.
Ainda segundo o pai, a mãe da criança, Mariana Pereira de Araújo, teve que passar por outro procedimento cirúrgico para a retirada da cabeça da criança.
Santa Casa diz que gestante estava em trabalho de parto prematuro
Em nota, a Santa Casa disse que a gestante foi admitida em trabalho de parto prematuro, apresentando dilatação total do colo uterino.
“Em virtude da prematuridade extrema (25 semanas de gestação, baixa viabilidade fetal, prematuro ‘muito extremo’ cuja classificação é a mais grave entre as prematuridades), do avançado estágio do parto em que se encontrava (dilatação total) e da localização baixa da apresentação (feto), considerou-se que não havia como proceder a interrupção por via alta (cesária)”, conforme o texto.
Segundo o hospital, durante a assistência ao parto houve óbito fetal, o que era provável nas condições em que a jovem estava. “Durante a realização de manobras para o desprendimento do corpo, etapa complicada pela ocorrência de ‘cabeça derradeira’, não logrou-se êxito, tendo sido necessária a intervenção por via alta (cesariana) para completar o processo”, diz a nota.
“Precisamos compreender que os desencadeadores do trabalho de parto prematuro, muitas das vezes, são identificáveis durante o pré-natal, ou seja, no atendimento pré-hospitalar. A Santa Casa de Misericórdia de Araguari se solidariza com os familiares e amigos da paciente em questão e informa que, através da direção clínica, nomeou comissão para avaliar os acontecimentos e identificar se as normas técnicas foram observadas no atendimento a essa parturiente”, conclui o hospital.
Caso semelhante em 2017
Uma outra bebê teve a cabeça separada do corpo durante um parto normal no dia 30 de outubro, na Santa Casa de Araguari. Na ocasião, a mãe explicou que a gestação foi tranquila e acompanhada por um médico em Tupaciguara, cidade onde vive. No entanto, no dia 24 de outubro começou a sentir dores e foi encaminhada para a unidade. A mulher denunciou o hospital por negligência.
Em nota, a administração do hospital informou que a gestante chegou à unidade em trabalho de parto com exteriorização dos pés e do cordão umbilical do feto e que, já na chegada, foi detectada ausência de sinais vitais, o que comprova que o feto chegou em óbito no local.
Ainda de acordo com a Santa Casa, o parto vaginal evoluiu com cabeça derradeira, complicação prevista em apresentações pélvicas, sendo necessário procedimento cirúrgico para resolução, conforme posicionamento na época.
- Fonte: G1 Triângulo e Alto Paranaíba